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'Volcano': O clássico da catástrofe que ferve com comédia involuntária e lógica derretida

Publicado em 27 de janeiro de 2026

'Volcano': O clássico da catástrofe que ferve com comédia involuntária e lógica derretida

Imagem meramente ilustrativa, criada por I.A.

Em 1997, o gênero de filmes-catástrofe vivia seu apogeu, com Hollywood investindo fortunas em espetáculos de destruição em massa. Foi nesse cenário que 'Volcano', dirigido por Mick Jackson, chegou aos cinemas com uma premissa tão simples quanto audaciosa: um vulcão entra em erupção no meio de Los Angeles. Estrelado por um Tommy Lee Jones no auge de sua popularidade e uma talentosa Anne Heche, o filme era uma promessa de tensão, efeitos especiais de ponta e heroísmo contra forças da natureza. O que o público recebeu foi tudo isso, mas também uma obra-prima da comédia não intencional, um filme cuja total desconexão com a realidade o elevou ao status de clássico cult.

Uma premissa ardente, uma lógica em fusão

O charme acidental de 'Volcano' reside em sua corajosa indiferença pelas leis da física, geologia e bom senso. A narrativa não perde tempo com explicações plausíveis. Um terremoto abre uma fissura, e dela jorra lava pelos famosos poços de piche de La Brea, transformando o Wilshire Boulevard em um rio de rocha derretida. A partir daí, o filme se torna uma sucessão de momentos que desafiam a lógica de forma tão espetacular que o espectador não tem outra escolha a não ser se render ao entretenimento puro.

A suspensão da descrença é levada a limites extremos em cenas que se tornaram icônicas por sua absurdidade. A equipe de heróis, liderada pelo chefe do Escritório de Gerenciamento de Emergências, Mike Roark (Jones), e pela geóloga Dra. Amy Barnes (Heche), elabora planos que parecem saídos de um desenho animado. A ideia de parar um fluxo de lava com ônibus urbanos e barreiras de concreto é tratada com uma seriedade mortal, gerando um contraste cômico irresistível.

Heróis impassíveis em um mundo em chamas

O elenco ancora o absurdo com atuações notavelmente sérias. Tommy Lee Jones interpreta Mike Roark com a mesma intensidade e cara de poucos amigos que o consagraram em 'O Fugitivo'. Sua performance impassível diante do caos absoluto é a principal fonte de humor do filme. Ele grita ordens, encara a lava como um inimigo pessoal e nunca, por um segundo, deixa transparecer que a situação é ridiculamente impossível. Ao seu lado, Anne Heche se esforça para trazer uma base científica à trama, mas suas explicações servem apenas para realçar o quão fantasiosa é a história.

O filme também tenta tecer um comentário social, especialmente na famosa cena em que um menino aponta para os rostos cobertos de cinza e diz: "Olha, eles são todos iguais". É uma mensagem de unidade em face da tragédia, entregue com a sutileza de um bloco de concreto, mas que, dentro do universo exagerado do filme, acaba funcionando como mais um elemento de seu charme ingênuo.

O legado inesperado: de blockbuster a tesouro cult

Na época de seu lançamento, 'Volcano' foi ofuscado por seu concorrente temático, 'O Inferno de Dante', que, embora também fantasioso, era um pouco mais contido em suas licenças científicas. No entanto, o tempo foi generoso com 'Volcano'. Enquanto 'O Inferno de Dante' é lembrado como um competente filme de ação, 'Volcano' é reverenciado por sua audácia, seu ritmo alucinante e sua capacidade de divertir justamente por seus defeitos. É um exemplar perfeito do "filme B com orçamento de filme A", uma relíquia de uma era em que a imaginação de Hollywood não conhecia limites, nem mesmo os da própria ciência. Mais do que um filme-catástrofe, 'Volcano' é uma celebração do cinema como pura escapismo, uma obra que ferve não apenas com lava, mas com uma energia contagiante que a torna irresistível até hoje.


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